DO ORDEIRO LABIRINTO DO BAIRRO ALTO OU DOS PRAZERES E TENTAÇÕES DO CHIADO FICA A IMPRESSÃO QUE O TERRAMOTO DE 1755 CHEGOU E PASSOU, SEM DEIXAR NA ZONA O MÍNIMO BELISCÃO. NÃO É O CASO. MAS É O LUGAR ONDE O VISITANTE ACREDITA QUE LISBOA COMEÇA.
Depois da tragédia que revolveu a terra, enterrados os mortos e cuidados os vivos, a Baixa passou a ser ‘pombalina’ por conta da mão de ferro e sensatez do Marquês de Pombal. Do Cais das Colunas se vê a ‘outra banda’ antes de lhe virar costas, com respeito, e abraçar as larguezas do Terreiro do Paço, cartão de visita e maior praça da cidade. Ao longo das arcadas pululam hotéis, restaurantes, cafés míticos, esplanadas, o Lisboa Story Centre e o principal posto de turismo.
Passado o triunfal Arco da Rua Augusta, é forçoso percorrer a rua agora pedonal até desembocar no Rossio, com o Teatro Nacional ao fundo, lugar de fontes, venda de flores, confeitarias seculares, memórias e fantasmas felizes. Apanhando o Elevador de Santa Justa se chega às ruínas do Convento do Carmo, que é onde se vê como o terramoto fez das suas. Daí são dois passos até ao Largo da Misericórdia. Diz que é aí que o Chiado gosta de começar a mostrar a sua imodéstia, que se explica a ‘teoria do conforto’, que é quando Lisboa continua a ser quem foi mas faz questão de provar que tem o que o turista na terra dele toma por garantido.
Multiplicam-se alfarrabistas e antiquários, lojas que fecham e abrem (que no Chiado não se preguiça na desgraça ou dormita no sucesso) e, a partir do Largo com vista para a estátua de Camões, as pérolas do lugar. O café A Brasileira, onde a estátua de Fernando Pessoa tem sempre um lugar à sua mesa, a Bertrand, a mais antiga livraria do mundo (1732), o Teatro de S. Carlos, igrejas cujos sinos dão horas ou tocam apenas por gosto e um vasto leque de lojas e restaurantes, alguns para lá de centenários, em impecável postura, a lembrar o terrível incêndio de 1988 que por pouco não martirizou o Chiado. É o ponto de encontro da cidade.
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